A necessidade de suspender ou não o uso do anticoncepcional antes de realizar uma cirurgia plástica é uma dúvida comum entre as mulheres. Afinal, muitas utilizam este recurso para evitar uma gravidez e têm receio de que, ao suspender a medicação, ocorra uma gestação não planejada — e uma barriga crescendo no pós-operatório do procedimento!
E você, também tem esta dúvida? Não sabe se pode ou não continuar usando anticoncepcional antes e depois de uma cirurgia plástica? Quer entender por que os médicos recomendam a suspensão? Então, continue a leitura! Vamos desvendar tudo que você precisa saber sobre este assunto.
Índice:
Por que suspender o anticoncepcional antes da cirurgia plástica?
O anticoncepcional, seja oral, injetável ou transdérmico, contém doses de hormônio. Por isso, ele causa uma série de alterações no organismo, incluindo a forma como o sangue se comporta. O principal risco associado a essa alteração no sangue é o de tromboembolismo venoso (TEV), mas também existem outros. Por isso, falaremos de cada um deles nos tópicos a seguir:
Risco de tromboembolismo venoso por uso de anticoncepcional
O tromboembolismo venoso é uma condição potencialmente grave que inclui a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar (EP). A TVP ocorre quando um coágulo sanguíneo se forma em uma veia profunda, geralmente nas pernas, enquanto a EP acontece quando esse coágulo se desloca e atinge os pulmões. Ambas as condições podem ser fatais. Portanto, devem ser tratadas adequadamente.
Os anticoncepcionais orais combinados, que contêm estrogênio e progesterona, aumentam o risco de TEV por alterarem o equilíbrio dos fatores de coagulação no sangue. Assim, eles tendem a criar um estado de hipercoagulabilidade, ou seja, uma tendência aumentada à formação de coágulos. Este risco é particularmente preocupante no contexto de uma cirurgia plástica, pois procedimentos cirúrgicos e o período de recuperação pós-operatória já são, por si só, fatores de risco para o desenvolvimento de TEV.
Durante uma cirurgia plástica, especialmente procedimentos mais longos ou que envolvem manipulação extensa dos tecidos, há uma ativação do sistema de coagulação do corpo como parte da resposta ao trauma cirúrgico. Além disso, o período de imobilização pós-operatória, mesmo que breve, pode contribuir para a estase venosa, outro fator de risco para a formação de coágulos.
Estudos têm demonstrado que o risco de TEV em mulheres que usam anticoncepcionais orais combinados é cerca de 2 a 4 vezes maior do que em não usuárias. Além disso, quando combinado com outros fatores de risco, como cirurgia, obesidade, tabagismo ou idade avançada, este risco pode aumentar significativamente.
Possibilidade de prejuízo à cicatrização
Além do risco de TEV, existem outros motivos para a suspensão do anticoncepcional antes da cirurgia plástica. Alguns estudos sugerem que os estrogênios presentes nos anticoncepcionais podem afetar o processo de cicatrização. Embora as evidências não sejam conclusivas, alguns cirurgiões acreditam que a suspensão do anticoncepcional pode contribuir para uma cicatrização mais favorável.
Interação entre o anticoncepcional e medicamentos
Outro aspecto a considerar é a possível interação entre os anticoncepcionais e os medicamentos utilizados durante e após a cirurgia. Certos antibióticos e analgésicos podem interferir na eficácia do anticoncepcional, potencialmente levando a uma gravidez não planejada. Portanto, a paciente corre o risco de “se enganar”, achando que está protegida, mas com o corpo totalmente vulnerável a uma gestação.
Avaliação mais precisa da paciente
A suspensão do anticoncepcional também permite uma avaliação mais precisa da paciente. Flutuações hormonais podem afetar diversos aspectos relevantes para a cirurgia plástica, como a distribuição de gordura corporal, a qualidade da pele e até mesmo o volume mamário. Ao avaliar a paciente sem a influência dos hormônios sintéticos, o cirurgião pode fazer um planejamento cirúrgico mais certeiro.
Quando parar o uso do anticoncepcional?
Se o cirurgião plástico recomendar a suspensão do anticoncepcional, o ideal é que a paciente pare de tomar o medicamento 30 dias antes da operação. Porém, somente o especialista vai poder dizer o tempo exato que essa pausa deve ser feita. Seguir essas recomendações é essencial para o sucesso da cirurgia.
Caso o uso do anticoncepcional seja feito por outras razões que não a de evitar a gravidez, é bom conversar não apenas com o cirurgião plástico, mas também com o médico que o receitou. Dessa forma ele poderá auxiliá-la sobre o que fazer enquanto o remédio não estiver sendo administrado.
Quando retomar o uso do anticoncepcional?
Após a cirurgia, a retomada do uso do anticoncepcional deve ser discutida com o cirurgião plástico e o ginecologista. Geralmente, recomenda-se esperar pelo menos duas a quatro semanas após o procedimento antes de reiniciar o uso, dependendo do tipo de cirurgia realizada e da recuperação individual da paciente.
É importante notar que nem todos os métodos contraceptivos precisam ser suspensos antes da cirurgia. Métodos apenas com progestágenos, como alguns tipos de implantes subcutâneos ou o DIU hormonal, tendem a não aumentar significativamente o risco de TEV, o que permite sua manutenção. No entanto, não assuma a certeza de que não precisará retirá-los. Consulte o seu cirurgião plástico para uma avaliação individual.
Em que casos o médico mantém a paciente em uso de anticoncepcional?
O caso mais comum em que os cirurgiões plásticos permitem a continuidade do anticoncepcional é quando a menstruação atrapalha a cirurgia e o pós-cirúrgico. Neste caso, os médicos entendem que o risco do contraceptivo é menor que o efeito que a menstruação provocaria. Um exemplo disso é a cirurgia íntima.
Como evitar a gravidez no pré e pós-operatório?
É fundamental que as pacientes utilizem outros métodos contraceptivos durante o período de suspensão do anticoncepcional e nos meses seguintes à cirurgia. Afinal, uma gravidez no período pós-operatório imediato pode comprometer os resultados da cirurgia e apresentar riscos adicionais à saúde da mulher.
Existem outros medicamentos que a paciente precisa suspender?
Além do anticoncepcional, as pacientes podem precisar suspender uma série de medicamentos antes da cirurgia plástica. Esta medida é essencial para garantir a segurança do paciente e o sucesso do procedimento.
A interação entre certos medicamentos e os processos envolvidos na cirurgia pode levar a complicações sérias, desde problemas de cicatrização até riscos cardiovasculares. Portanto, é crucial que o cirurgião plástico tenha um conhecimento completo do histórico médico do paciente e de todos os medicamentos em uso. A seguir, falaremos de alguns remédios de uso comum que podem trazer risco à cirurgia ou complicações à cicatrização.
Anti-inflamatórios não esteroidais
Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), como ibuprofeno e aspirina, devem ser interrompidos pelo menos duas semanas antes da cirurgia, pois podem aumentar o risco de sangramento durante e após o procedimento. Estes medicamentos afetam a função plaquetária, reduzindo a capacidade de coagulação do sangue.
Suplementos naturais e fitoterápicos
Suplementos naturais e fitoterápicos também merecem atenção especial. Produtos como ginkgo biloba, alho, ginseng e vitamina E podem afetar a coagulação sanguínea e devem ser suspensos. O mesmo se aplica a ômega-3 e óleo de peixe, que podem prolongar o tempo de sangramento.
É importante lembrar que, embora sejam considerados “naturais”, esses suplementos podem ter interações significativas com medicamentos e procedimentos médicos. Muitos pacientes subestimam o impacto desses produtos, por isso é fundamental discutir seu uso com o cirurgião.
Medicamentos para controle de peso
Medicamentos para controle de peso, incluindo alguns inibidores de apetite, devem ser interrompidos, pois podem interagir com anestésicos. Alguns desses medicamentos podem afetar o sistema cardiovascular ou alterar o metabolismo, potencialmente complicando o processo anestésico. Portanto, converse com seu médico para programarem a suspensão para um período seguro, que inviabilize a interferência dos efeitos desses remédios na sua cirurgia.
Antidepressivos
Antidepressivos, especialmente inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), podem necessitar ajuste de dose ou suspensão temporária, dependendo da avaliação médica. Alguns antidepressivos podem interagir com anestésicos ou afetar a coagulação sanguínea. Porém, é comum que o cirurgião plástico e o psiquiatra atuem em conjunto para definir uma janela de suspensão viável para a paciente, priorizando sua segurança.
Medicamentos para doenças crônicas
Medicamentos para diabetes e pressão arterial geralmente requerem monitoramento cuidadoso e possível ajuste antes da cirurgia. Em alguns casos, a suspensão pode ser necessária, mas isso deve ser feito apenas sob orientação médica estrita.
É fundamental que o paciente informe ao cirurgião plástico todos os medicamentos, suplementos e vitaminas que utiliza, incluindo produtos de venda livre. Cada caso é único e requer avaliação individual para determinar quais medicamentos devem ser suspensos e por quanto tempo antes do procedimento cirúrgico.
Então, para não correr o risco de se esquecer de qualquer medicamento, anote-os antes da consulta e leve para o médico verificar. Isso evitará que, por não se lembrar de algo no momento da avaliação, o cirurgião deixe de considerar aspectos importantes para a sua cirurgia e pós-operatório.
Como você pode ver, o planejamento para uma cirurgia plástica inclui não somente a realização de exames solicitados pelo profissional, mas também a comunicação de todos os medicamentos que a paciente utiliza.
Entendeu a relação entre o uso do anticoncepcional e a cirurgia plástica e por que é importante comunicar o seu médico sobre o uso de qualquer medicamento antes da realização de qualquer cirurgia?Compreendeu que a suspensão de remédios antes da cirurgia plástica é uma medida preventiva importante para reduzir riscos e contribuir para melhores resultados cirúrgicos. Ficou com dúvidas? Faça sua pergunta nos comentários e teremos prazer em responder!

A Master Health, há mais de duas décadas, alia conforto, segurança e zelo no tratamento de seus pacientes. Adepta do conceito de clínica vertical, a Master dispõe de quatro andares unicamente dispostos ao atendimento, favorecendo a privacidade de cada momento da cirurgia plástica ou tratamento realizado pelo paciente.
Diretora Técnica Dra. Elaine Favano – CRM 42085/SP







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